Wednesday, November 18, 2015

O Filho Preferido (Por Lupita)


Todos conhecemos histórias de mães e pais com preferências por um dos filhos.

Ter uma “inclinação” por um deles é natural,  ela pode ser mais ou menos consciente e eventualmente dissimulada.
Ela pode depender do contato físico, da pele, do cabelo, das afinidades, da sensibilidade, dos interesses... isso pode acontecer também entre avos e netos e sobrinhos.

Por sua vez as “vítimas” confirmam e muitas confessam ter sidos deixadas de lado,  esquecidas e em casos extremos rejeitadas.

Seja o primeiro, o mais bonito, o mais inteligente, o mais necessitado, o mais cúmplice ou o mais parecido, há sempre um que colhe as preferências dos pais.

O filho que recebe mais atenção geralmente cresce mais forte, mais ligado com a vida, mais inteligente e mais sereno.
Espontaneamente é fácil ter ligações mais “fortes” com o filho que nos está mais “próximo”, que nos é mais cúmplice ou em quem nos revemos mais. O que não significa nem se traduz num maior grau de afeto ou afinidade.

Por sorte o ser humano tem uma capacidade notável de distribuir (e multiplicar) amor para todos os filhos. Sejam dois ou duas dezenas, brilhantes ou medíocres, lindos ou “patinhos feios”...
Acredito que devemos nos esforçar de ser imparciais e assim sendo iremos descobrir as dotes dos filhos que estavam mais afastados.
Os avos podem ajudar equilibrando a família ou seja dando mais afeto e atenção aos carentes.

Porque a falta de carinho e acompanhamento suficientes de um genitor cria feridas que saram a muito custo.

Adolescência meu Amour - Parte 2 (Por Lupita)


Depois da primeira fase de “separação”, passa-se à fase que eu definiria de “colaboração”.
O ponto principal consiste em reconhecer no adolescente uma personalidade própria, única, de adulto independente, diferente daquela dos pais e irmãos.
Para nos, os pais, não é sempre fácil mas, pensando bem, os sinais premonitórios já podem ser vistos muitos anos antes da adolescência.

Portanto daqui para frente, temos que achar tempo e inspiração para:
- ajuda-los a escolher roupas adequadas
- ajuda-los a fazer novos contatos
- ajuda-los a descobrir interesses por futuros estudos finalizados a um trabalho, interesses no esporte e no tempo livre
- ajuda-los a descobrir a própria personalidade, aquela que foi se formando e que na adolescência esta “explodindo”.....

- aceitar que abandonem atividades e paixões orientadas pela família.

Desacelera Mamãe

Desacelera Mamãe, não precisa correr

desacelera Mamãe, qual é o problema?

desacelera Mamãe, você merece um café

desacelera Mamãe, vem cá e fica um pouco comigo.

Desacelera Mamãe, vamos calçar as bota e

Vamos dar um passeio...

Colher folhas, sorrir, rir, falar....

Desacelera Mamãe, você parece estar cansada,

Vem, vamos deitar juntinho debaixo dos cobertores, descansar comigo.

Desacelera Mamãe, você parece estar cansada, os pratos sujos podem ficar esperando,

Desacelera Mamãe, vamos brincar, fazer um bolo juntos!

Desacelera Mamãe, eu sei que você trabalha muito

Mas às vezes, Mamãe, é bom quando

simplesmente você para um pouco.

Senta conosco um minuto,

escuta como foi o nosso dia,

passa conosco alguns momentos em alegria,

porque a nossa infância não desacelera!

(Autor desconhecido - Traduzido por Lupita)

Adolescência Mon Amour - Parte 1 (Por Lupita)


Na adolescência a criança se transforma, seu corpo muda, muitos interesses, sentimentos e sonhos tomam novos rumos.
Muitas almas sofrem, se sentem perdidas, não conseguem administrar essa nova vida. Muitos jovens não se sentem entendidos e aceitos pelos pais, alguns gostariam de voltar para trás no tempo permanecendo crianças.
 A adolescência é um processo natural, que apresenta novos desafios para os jovens e as família. Mas assim mesmo nem sempre é um período perturbado ou seja de “aborescência” como muitos dizem.
 - Os jovens anseiam a liberdade mas em que idade um jovem pode sair
sozinho?
Vai depender de muitas variantes: o programa, o tipo de cidade, a companhia, o horário….
Os jovens só são responsáveis por si próprios a partir dos 18 anos quando se tornam adultos e podem prover para tudo.
Até então os pais são responsáveis pelos filhos, mesmos que eles protestem porque anseiam a liberdade, para chamar a atenção, quando sentem que que os pais continuam olhando para eles como crianças…
Portanto, os pais deve estabelecer metas progressivas de conquista de liberdade e confiança.
 - Muitos perguntam até quando (até que idade) devemos levar e buscar os filhos nas festas?
Ouvi a historia de uma moça que levou a irmã menor para uma festa, quando a mãe da aniversariante abriu a porta as irmãs olharam dentro da casa os convidados e a dinâmica da festa então a maior resolveu levar a irmãzinha de volta para a casa porque o clima da reunião não era recomendável. Lindo final.
Os pais deveriam assegurar-se de que o filhos vão e voltam em segurança, tentando se informar como vão, quem vai acompanhar e como voltam. E’ bom conhecer os amigos. Os mocinhos normalmente não gostam que os pais os vão buscar, por isso nas primeiras saídas pode-se combinar com eles algum ponto de encontro por perto para não ser vistos pela turma. Na verdade os adolescentes reclamam mas gostam de se sentir protegidos.
Depois, se percebermos que se tornaram responsáveis, gradualmente podemos deixá-los ir e voltar com seus próprios meios.
Para esse e outros propósitos é bom dar uma mesada, pode ser útil e trata-se de um sinal de estima e confiança de parte dos pais.
 - Quando as notas da uma filha baixam muito porque anda muito ocupada com os namorados que atitude tomar?
Os pais teriam de perceber que é uma fase absolutamente natural em que o adolescente passa por uma grande transformação física e hormonal, tendo que lidar com novas sensações e emoções. Os pais não deveriam dramatizar, porque a situação devera se normalizar.
Nessa fase, em que começa a vida sexual, seria bom pensar em mandar as filhas para o ginecologista, se for caso acompanha-las. Somente a sensibilidade de uma mãe para saber o momento.
 - As meninas usam saias muito curtas e shorts mínimos, os meninos mudam de vestiário e alguns deixam crescer a barba e bigode, como lidar com eventuais looks excêntricos?
Os adolescentes passam por um processo para aprender a conviver com um corpo em transformação, uma sexualidade nascente. Eles precisam mostrar ao mundo e a si próprios que não são mais crianças e querem se sentir desejáveis.
Como pais temos dificuldade em aceitar e respeitar a sexualidade dos filhos.
As roupas muitas vezes são indecentes deixando as meninas desprotegidas do frio, calor ou higiene. Nesses casos é necessário dar o exemplo, lidar com bom senso e  “negociar” um vestiário jovem e descontraído no limite da decência e que combine com o programa (escola / praia / balada / igreja / casamento...).

- Com a desculpa de que estão crescendo filhos adolescentes  evitam o contato físico, um abraço, um beijo aos pais que ficam decepcionados e tristes?

Com sensibilidade devemos respeita-los e dar-lhes espaço e tempo. Podemos beija-los mas com muito respeito. Há uma fase em que eles precisam demostrar que já  são adultos (ou quase) e nos não devemos insistir no contato físico sobretudo em publico. Quando eles se sentirem mais seguros, voltarão a ser como são naturalmente.

Por isso e muitas outras situações é tão importante ir educando os filhos desde pequenos, dando o exemplo, ir instaurando um bom relacionamento, tentando acolher a alma que esta em cada criança, com amor, confiança e comprometimento.

Thursday, November 5, 2015

CONTO: ERA UMA VEZ

Era uma vez uma cidade que se chamava Amil. Era a capital do país de Urep. Numa área arqueológica pré-hispânica no centro da cidade, havia um Jardim Zoológico onde encontravam-se macacos, leões, tigres e zebras em grandes gaiolas. Havia também uma girafa solitária.
Muitos visitantes pagavam a entrada para ver os animais enjaulados. Mas uma senhora muito importante, a Sra Nic, queria que diminuísse o espaço para os animais e que restaurasse o Palácio do ultimo Cacique. Assim poderia ganhar muito dinheiro cobrando o ingresso para o Palácio.
Os animais reclamavam mais espaço… e a Sra Nic ficava incomodada com tantos animais…
Então veio o Huarango de Samaca e falou:
“Para que brigar?” Vocês animais “Gostam de estar aqui? Ou preferem voltar para África?”
“Voltar! Voltar!” gritaram os animais.
“Então não tem problema, ali está o Avião que pode levar vocês: foi fretado pela Sra Maria com os milhões que ganhou com seu Ensaio sobre o Jardim Botânico de Amil."
“E você, Espirito do ultimo Cacique você quer que a Sra Nic arrume seu palácio para que os turistas caminhem no seu quarto aonde você dormia com suas lindas esposas?"
“Não, não quero!”
“Então não tem problema, eu trago meu amigos e contatos e fazemos um bosque impenetrável em volta do Palácio para que os habitantes possam ir para outro lugar: porque não amam mais as plantas, só gostam de celulares, dos iPad ou iPod e respiram gazes em vez do ar puro e comem comida porcaria em vez de pratos frescos etc….”
E assim foi. A cidade de Amil onde havia um único jardim muito grande não existe mais. No seu lugar está um maravilhoso Bosque com milhares de pássaros, borboletas e abelhas e lobos e mais….
Livre tradução do conto
Maria Angelica Benavides (ítalo–brasileira) mãe de 9 filhos, avó e bisavó, que já morou em S.Paulo e nos EUA, e atualmente vive em Lima (Peru).
Aos 50 anos formou-se em Historia e Antropologia e ensinou na Universidade S.Marcos de Lima.
Desde 2013 promove uma campanha em favor de um Jardim Botânico em Lima (Peru). 




Esta preparando um livro de contos para crianças.

Monday, October 12, 2015

Ouro Preto e Tiradentes

Acabo de voltar de Ouro Preto e Tiradentes, cidades históricas tranquilas, interessantes, bem conservadas e limpas.
Cada vez que faço uma viagem destas penso como é importante transmitir a cultura e sobre tudo a historia para os nossos filhos.

Os africanos passam a cultura verbalmente contanto de pai em filho experiências, historias e lendas da comunidade ou dos próprios familiares. 
Nos ocidentais damos mais valor aos documentos, à leitura e criamos bibliotecas e museus mantendo a historia e os vestígios de prédios, palácios, casas, instituições, estatuas, quadros e esculturas, armas, tapeçarias, fotos, joias, objetos do dia a dia...
Não são todos os pais que dedicam um pouco de tempo para passar a memoria aos próprios filhos.
Quando perdemos nossos pais perdemos uma possível conexão com a nossa historia, o nosso passado - que nos explica porque nos tornamos este homem ou esta mulher (frutos de um DNA e de uma educação).


Disney e a Florida são lindos e divertidos mas os jovens que vieram conosco para Minas se envolveram imaginando a vida naqueles tempos, brancos e escravos, a lavoura, a fé, o trabalho artístico....


Eu aconselho de intervalar viagens culturais com viagens de puro lazer. Nas cidades históricas pelo mundo podemos contratar um guia que nos leva para os lugares mais interessantes e os mais escondidos contando fatos e lendas. E’ muito bom para toda a família.

Avós

Por Lupita

Ontem vi uma avó ninando uma netinha no colo, cantando baixinho uma melodia, dando voltinhas na sombra das arvores perto da piscina enquanto os meninos maiores brincavam e pulavam na água.
Que gostoso, eu sou desafinada mas já cantei para meu filho inventando a musica e a letra... era libertador e calmante para ele e para mim. São métodos clássicos eficazes, sempre prontos para o uso e de graça. 

O recém nascido houve a batida do coração e a respiração rítmica da mãe e imita.
O certo porem seria ensinar aos poucos a criança a dormir sozinha no berço.

Responsabilidade e Comprometimento

Por Lupita

São qualidades que podem ser ensinadas em casa e na escola (melhor ainda em colaboração). Poucos nascem com esses dons. Alguns filhos não entendem qual pode ser o valor deles.
Exemplo e comprometimento são os melhores métodos educativos. Se não quiser que seu filho minta, ele deve saber que os pais falam sempre a verdade. Somente estando perto do seu filho (com a presença tanto física quanto emocional no dia a dia) a educação vai se arraigando.
A responsabilidade se aprende desde os primeiros anos de vida – nos anos da adolescência já esta tarde demais.
Educar com métodos rígidos não é a melhor estratégia, geralmente se obtém o resultado oposto.
Em casa é muito melhor raciocinar com os filhos a respeito de metas, tarefas, métodos e recompensas
É aconselhável dar aos filhos responsabilidades progressivamente maiores que envolvam a atenção, o cuidado, esperteza , ecc... dos filhos, mesmo que comportem algum risco.
Por exemplo pedir para uma criança de:
. 2-4 anos levar alguns objetos, comer sozinho...
. 4-5 anos tomar banho sozinho, ajudar nas tarefas de casa mais simples
. 6-8 anos colocar a mesa
. 10-12 anos passear o cachorro, preparar uma bagagem
. 12-13 anos cruzar a rua sozinho, ir comprar algo na loja ao lado
. 15 anos ajudar na lição de casa de outras crianças ou cuidar do irmãozinho
naturalmente o adulto tem que ficar sempre por perto vigilando.
São apenas sugestões porque vai depender da personalidade do filho, da dinâmica da família, da cidade onde mora (mais ou menos perigosa) etc..
Os pais devem dar limites e criar um vinculo forte com a família. Assim as crianças irão vivenciar o comprometimento e os frutos que esse esforço produz. Os laços familiares devem ser alimentados e revigorados ao longo da vida por todos os componentes. Fazer parte de uma família torna-se uma grande força para sempre.
Não podemos pretender filhos perfeitos – responsáveis em tudo. Por isso é importante reconhecer as aptidões e a índole de cada filho podendo assim incentiva-lo naquilo que ele sabe fazer com mais facilidade e prazer. Um deles detesta lavar louça mas arruma a cama, outro que faz toda a tarefa da escola mas não guarda a roupa, um deles passeia o cachorro mas não ajuda na cozinha, e aquele que vai fazer compras no supermercado não joga fora o lixo...
Então outro membro da família (pai? mãe? irmão?) deverá completar a tarefa do irmão. Outra solução seria que para determinados serviços os membros da família se revezem.
As criticas deveriam ser sempre positivas, no sentido de remarcar que “todos são capazes a única diferença é que alguns se comprometem e outros não se importam...”.
Cada um tem suas próprias responsabilidades dentro da casa e da família, como por exemplo: estudar, guardar as próprias coisas, cuidar das coisas da casa, concertar algo que quebrou, gastar bem o dinheiro sem deixar débitos …
Para isso os pais tem que ficar por perto, se interessando, elogiando e dando valor quando for o caso.
Crescendo os jovens podem aprender tarefas mas difíceis dentro de casa e um pequeno serviço fora de casa, trabalhar como ajudante, estagiário enfim aprender uma profissão até se tornarem adultos autônomos, responsáveis e merecedores de respeito.
A parte emocional é essencial, o dialogo, conversar com os filhos e sobretudo ouvi-los um por um, separadamente.
Falarei mais adiante da educação civil, o eco-comprometimento como as questões ambientais e de desenvolvimento sustentável.

Cada Bebe tem que achar seu Ritmo

 Por Lupita
Uma soneca na parte da tarde ajuda o bebe a chegar à noite menos cansado à noite e assim adormecer mais facilmente.
Sabemos que quando estamos muito cansados ficamos mais nervosos e torna-se mais difícil “cair no sono”.

Acredito que certas crianças, assim como certos adultos, precisam menos sono do que outras.
Mesmo assim a função dos pais é justamente educar os filhos inclusive modulando essas funções de sono/vigília.

Muitos adolescentes e adultos tem serias dificuldades em dormir, por isso acho importante ajudar (ou ensinar?) os próprios filhos a tirar o maior proveito de um sono reparador.
O sono é importante para que o corpo descanse, para que o coração se aquiete e muitas outras funções do metabolismo retomem o ritmo natural, enfim para que a mente elabore os estímulos que recebeu.

Esses estímulos são muitos fortes para um recém nascido ou bebe, pensem não só nas luzes, nos sons, nas vibrações mas sobretudo nas emoções que as pessoas transmitem.
Vejam também a etiqueta “Sono” no blog:
http://blogmuitosfilhos.blogspot.com.br/search/label/sono

AUTOESTIMA PARA A VIDA

Por Lupita

A autoestima é uma avaliação de si própria que a criança vai formando ao longo do tempo, a partir das mensagens que recebe do ambiente. Ela se baseia na certeza de ter sido aceita como pessoa, certeza que começa lá do útero. Como se a aceitação fosse um fluxo, uma mensagem magica que passa dos pais para os filhos desde a concepção.
Para que os filhos realizem sua missão aqui na terra (na família dos pais, na própria família, no trabalho, na sociedade e com o planeta....) com coragem, determinação, comprometimento, serenidade, satisfação e alegria - a autoestima é fundamental.
Para isso nos - os pais - deveríamos:
a) reforçar as atitudes positivas que reconhecem nos filhos
b) saber dosar as críticas.
Uma autoestima saudável é fruto de elogios justos e adequados baseados em fatos reais e motivados pelo afeto.
Temos que ter cuidado para não cair no extremo oposto: por exemplo ha crianças que só recebem elogios e jamais são criticadas que não suportam a dor da perda, não têm maturidade para corrigir os próprios erros.
Deveríamos evitar de:
- faze-los sentir superiores a outras crianças, eles irão pensar que os pais estão fazendo assim para esconder que eles são imaturos, ou que não são capazes
- incentiva-los a desenvolver ao máximo as próprias capacidades, porque a criança pode estar fazendo o máximo do esforço só para agradar os pais - gerando estresse e fragilidade emocional
- mostrar decepção quando trazem um resultado fraco ou ruim. O afeto da família não pode estar subordinado ao resultado
- falar deles com amigos na frente deles.
Uma crítica deveria ser positiva e objetiva para não ofender nem magoar. Ela deve ser referir ao problema ou erro/engano - possivelmente não à criança como pessoa.
Ainda assim as crianças mais sensíveis ficam constrangidas.
- Errado: “Você é um relaxado, olhe só que sujeira esse quarto”.
- Preferível: “Que nojo esse quarto, que bagunça, olhe só quanta sujeira. Pode começar a arrumá-lo, por favor?”.
- Errado: “Você é um irresponsável, não deu comida para o cachorro”.
- Preferível: “Você não deu comida para o cachorro de novo, esta na hora.”
- Errado: “Seu vagabundo, vai logo fazer a lição de casa e as tarefas que te mandei.”
- Preferível: “Por favor, faça a lição de casa e as tarefas quanto antes como eu pedi porque depois temos outras coisas para resolver".
Por exemplo na lição de casa dos filhos, é preferível:
- dar confiança, um controle exigente gera insegurança e as crianças tendem a afastar a responsabilidade, tornando-se dependentes de outras pessoas que pensem e organizem tudo para eles
- evitar de fazer a tarefa por eles. Quando a tarefa for muito difícil, podemos ajudar, dar explicações mas deixar que eles desenvolvam o trabalho sozinhos
- dar valor à curiosidade, podemos inclusive alimenta-la
- não exigir a perfeição, não somos juízes. A tarefa de casa serve para o professor avaliar o nível dos alunos e para saber se eles entenderam a matéria.
A maioria das crianças gosta de compartilhar as próprias preferencias. Crescendo estas tendem a mudar.
Portanto devemos ficar próximos e disponíveis, escutando atentamente, elogiando e dando valor quando for o caso, acompanhando, sorrindo, rindo e chorando com eles.... vivendo com muita emoção.
Sei que não é fácil mas é muito bom.

Tuesday, August 11, 2015

Dinheiro

お金 (dinheiro em Japonês)
(Por Lupita)
O dinheiro faz parte da nossa vida, regula nosso dia a dia, é um meio de troca, uma energia. O dinheiro é sujo somente se o sujamos  - com uso indevido, com as mãos enlameadas ou com as más intenções.
Como todas as coisas importantes o dinheiro deveria ser introduzido e explicado pelos pais desde os primeiros anos de vida. O valor do dinheiro está diretamente relacionado com o valor que damos às coisas. Valor real de troca “Oferta x Demanda”  ou valor subjetivo, veja por exemplo os leilões.
Existe uma idade certa para ensinar o que é o dinheiro, o uso, o valor....etc?
Por um lado podemos sonhar em comprar algo fazendo projetos, economizando e esperando -  devemos aprender a investigar para achar a coisa certa com o preço justoExplicar que o dinheiro não brota nas arvores, não cai do céu é necessário. Que dinheiro se ganha a muito custo (se somos pessoas honestas) e raramente nas loterias da vida.
Não é sempre que os pais apoiam o sonho do filho e nesse caso é necessário aprender a negociar.
De 5 a 10 anos
Se a criança não se interessa e prefere ficar sonhando, pode ser uma boa opção começar a dar uma caixinha  ou uma mesada  desde cedo. Assim ela verá – sempre com a ajuda dos pais -  o que ela pode comprar.
E, aos poucos poderá fazer comparações entre um carrinho e uma bola, ou entre uma escova de dentes (tão importante) e um bonequinho, ou um pacote de balas e uma bicicleta (incomensurável).
Para certas crianças pode ficar mais fácil introduzir o conceito de educação financeira de forma lúdica, como jogos do tipo de mercadinho de brinquedos e livros e o famoso Monopoli/Banco Imobiliário
Dizem que para os menores é mais fácil dar a "semanada"... para abreviar o prazo.
Dos 10 aos 15 anos
Crescendo os gastos muda-se o valor da mesada que podem e devem ser aumentadas.
Mas é importante estabelecer o que o filho vai comprar com esse dinheiro.
Os pais deveriam sempre prover aos gastos mais importantes ou imprescindíveis  como roupa básica e formal, comida saudável do dia a dia, material escolar obrigatório, entrada num bom cinema, equipamento esportivo...
A mesada pode servir para permitir ao jovem comprar coisas que os pais não aprovam como um chiclete, uma batata frita, uma bijoux...
O exemplo dos pais é fundamental,  definir valores pessoais e da família como um todo. Falar abertamente das escolhas na “Economia Domestica” que fazemos, dos sacrifícios e dos prêmios, das economias.... Não fingir ser mais rico ou mais pobres do que somos e evitar de angustia-las com as dificuldades.
É preciso organização e método.
Crescendo podemos explicar a eles o que é um banco, a poupança e até mesmo os investimentos ponderados sempre usando palavras simples.
Atualmente seria o caso de explicar o que é esta crise econômica, podendo torna-se mais fácil e mais convincente falar do valor das coisas e da importância de avaliar os gastos.
Importante: os presentes (em dinheiro) dos avós aos netos não fazem parte do budget familiar.


Thursday, July 30, 2015

A ESCOLHA DA MELHOR ESCOLA

Confira a entrevista do Mês com Véronique Forat Montero, publicitária.

O Blog Muitos Filhos realizará entrevistas com profissionais especializados em diversas áreas do conhecimento, que atendem crianças, bebês e mães.    A segunda entrevista foi realizada com a publicitária Véronique Forat Monteiro.  Agradecemos a Véronique pelo tempo e informações importantes.


Entrevista de Lupita com Véronique Forat Montero, franco-brasileira, publicitária, mãe de Olivia, 21.

QUANDO A CRIANÇA NÃO SE ADAPTA À ESCOLA

L.: Véronique, eu gostaria de conversar com você sobre a sua experiência a respeito da criança que não se adapta ou não se da bem na escola, como foi o caso com a sua filha.  O que você vivenciou?

V.: foram várias etapas bastante diferentes entre si, então vou começar pela escolha da escola no ingresso ao Fundamental 1 (que às vezes também condiciona a escolha da pré-escola, mas não foi o nosso caso).  Nessa etapa, considero que o meu marido e eu cometemos o erro de escolher uma escola pensando numa filha "futura", levando em conta também fatores muito distantes, como o vestibular. Enfim, imaginando que estávamos fazendo uma escolha "definitiva".

O FILHO IMAGINÁRIO
L.: Escolheram a escola já pensando na vida adulta, segundo os parâmetros da sociedade moderna?

V: Exatamente. Mas o problema é que esse "filho adulto" é uma fantasia, produto da imaginação dos pais, inclusive porque é difícil - ou pelo menos foi para nós - perceber que o seu filho, desde bebê, é um indivíduo plenamente diferenciado, separado dos pais. Que ele ou ela já tem gostos e interesses próprios e que, com o tempo, poderá inclusive adquirir valores completamente diferentes dos seus. (Diga-se de passagem, é isso que torna a maternidade / paternidade tão rica.)
Mas o que eu quero dizer é que, quanto menor a criança, mais você está fazendo uma escolha de escola "no escuro". Por isso, é bom estar preparado para não acertar na primeira a escola que melhor "combina" com esse pequeno indivíduo e suas necessidades próprias naquele momento, que dirá no futuro!

OUTROS PARÂMETROS NA ESCOLHA
L.: Quais são os outros parâmetros que vocês levaram em consideração na escolha da escola para a Olivia?

V.: Para nós, era importante que fosse uma escola laica e que fosse bilíngue.
Para outros pais, podem ser características completamente diferentes, como o meio social, a proximidade de casa, o tamanho do campus, a educação religiosa, a tradição familiar...

O QUE É UMA BOA ESCOLA
V:: Eu diria que a maioria dos pais procura uma "boa" escola, o que, na minha opinião, também é muito relativo.

L: Por que?

V: Porque mesmo que a escola tenha uma boa reputação - por exemplo, taxa de sucesso no vestibular - o que acontece, na prática, é uma "química" única na turma de alunos onde o seu filho está, tanto entre eles quanto com aquela professora.
Duas turmas do mesmo ano, na mesma escola, podem ser completamente diferentes. E se a escola escolhe manter os alunos numa mesma turma, ano após ano, o seu filho pode passar anos a fio numa turma "ótima" ou numa turma "péssima".
Pessoalmente, apesar de que a criança geralmente prefere permanecer junto com os amigos, acho muito mais saudável repensar a composição de cada turma no começo de cada ano, para permitir mudanças de dinâmica.

SINAIS DE QUE ALGO VAI MAL
L: Voltando à sua primeira escolha de escola, quais são os sinais que você percebeu de que algo ia mal?

V: No nosso caso, tínhamos acabado escolhendo para a Olivia a escola onde eu tinha estudado (sei que isso é uma decisão bastante comum, tomada por muitos outros pais, mas mostra bem claramente o nível de projeção dos pais sobre a criança). Fomos acompanhamos bem de perto a vida escolar e fomos reparando que ela era muito criticada pelas professoras, que a escola tinha uma expectativa, para todos os alunos, de um comportamento e desempenho "padrão" que ela não estava cumprindo, e que isso a deixava muito frustrada e foi jogando a autoestima dela lá embaixo.

O MOMENTO DE TROCAR
L.: E quando você achou que era o momento certo para trocar de escola?

V.: Percebemos que ela era inteligente e esforçada, mas que não estava conseguindo se encaixar nesse "padrão". Falamos muito com a equipe pedagógica, mas chegou uma hora em que ficou claro que simplesmente que não valia a pena insistir: não havia "encaixe" entre essa escola e a nossa filha.

SENTIMENTOS DOS PAIS
L: Geralmente os pais vivem esse problema como uma derrota ou em todo caso uma grande frustração, não?

V: Não vou dizer que foi fácil para nós, mas acho que tivemos a lucidez de não ficar "dando murro em ponta de faca". E isso acabou virando uma oportunidade de crescimento para nós: conseguimos abrir mão de um certo narcisismo e entender bem melhor essa "pessoa" que era a nossa filha.

L: Na prática, como vocês lidaram com essa situação? 

V: Começamos imediatamente a procurar uma escola que fosse mais adequada para o que tínhamos aprendido sobre as necessidades e gostos da Olivia. Visitamos algumas - dessa vez, com a mente bem mais aberta - e fizemos a mudança no meio do ano letivo, na volta das férias de julho.
A nova escola era o oposto da outra, e muito diferente do que imaginávamos escolher um dia, mas tinha "a cara dela" e foi um sucesso.
Ela adorou, desabrochou e foi uma ótima aluna. Acabou ficando lá até o final do Fundamental 2.

ESCOLHER A ESCOLA PARA A CRIANÇA E COM ELA
L.: Na sua opinião, é melhor escolher a escola com ou sem a criança?

V.: Acho que depende da idade. Nessa mudança, ela já tinha 7 anos, e a levamos para conhecer e opinar antes de começar, para avaliarmos juntos. 

L.: Sim, juntos, cada um com as próprias capacidades, experiências e opiniões.

V. Exatamente. E, posteriormente, foi ficando cada vez mais fácil "acertar" para a Olivia, à medida que ela foi crescendo e sentiu que sempre tinha espaço para se colocar e ser ouvida, mesmo nos - muitos - casos em que a gente não concordava com ela! 

MUDANÇA NO ENSINO MEDIO
L: Você mencionou que ela a voltou novamente a mudar de escola no Ensino Médio, não?

V: Sim. No nosso caso particular, achamos que ela estava meio "encostada" e que seria estimulante ela ir para uma escola mais exigente, em termos de esforço. Apesar de que foram três anos bem puxados, foi uma boa mudança. Ela adorou, teve um ótimo desempenho e fez muitos amigos.
Mas, fora os nossos motivos particulares, percebi que a mudança de escola nessa idade é muito comum, meio um "ritual de passagem".

L.: É bom que os pais saibam disso, para ir se preparando algum tempo antes, escutando o próprio filho e conversando com ele.

V.: Com certeza. Acho que o ideal é começar a falar desse assunto com o filho mais ou menos um ano antes. Permite ter um espaço de discussão, inclusive para que os pais possam ajudar o filho na escolha.

APRENDENDO ESCOLHER A ESCOLA AGORA
L.: Concluindo, quais foram os seus principais aprendizados sobre esse assunto?

V.: Diria que o primeiro, é a importância de tentar entender do que o seu filho precisa AGORA, sem se preocupar demais com o futuro, porque seu filho ainda vai mudar muito. Essa questão do futuro só deveria aparecer no Ensino Médio.
O segundo, é não ter medo de errar: estar preparado para mudar de escola. 
E o terceiro, é que "a melhor escola" é aquela em que o seu filho tem prazer de ir e prazer de aprender. Isso, pelo menos até o final do Fundamental 1.

L: Mais alguma dica?

V.: Como complemento do que eu falei logo acima, vejo pais decidirem com frequência que todos os filhos têm que frequentar a mesma escola.

Isso tem muito mais a ver com simplificar o dia a dia nos deslocamentos ou conseguir desconto para os irmãos, do que com a personalidade de cada filho, que é única.  Minha sugestão é que os pais estejam pelo menos abertos a colocar os filhos em escolas diferentes...

Friday, July 24, 2015

IRMAOZINHO


Quanto ao segundo filho (eu tenho um só) acredito de corpo e alma que a gente só deveria ter filhos se os queremos profundamente. Quando ouço pais dizendo “quero dar um irmãozinho para meu filho/a” penso que poderia ser uma desculpa para justificar o pedido de parentes e para não pensar em novas emoções que vão nascendo.

O primeiro filho: como vai saber se é bom ou se é ruim ter um irmão, se vai valer a pena ter um irmão para dormir, brincar, brigar… repartindo a atenção, o espaço e o tempo dos pais com outro. Quanto ao amor dos pais dizem que este não se divide, mas se multiplica. Outro milagre!

Onde come um comem dois, onde comem dois comem três …. onde comem 5 comem 6?

Acredito mais em muita dedicação, muito tempo… um coração grande. As famílias que tem vários filhos tem outro enfoque da vida.


Na maioria das vezes os filhos acabam se unindo e suprindo as exigências uns com os outros. Mais um milagre!

Espero comentários ou ideias. Um abraço Lupita

Tuesday, July 21, 2015

Profissão Mãe


(Por Lupita)
Pessoalmente a primeira coisa que pensei - quando vi meu filho pela primeira vez - foi: meu Deus! Vou ser mãe para o resto da vida, que responsabilidade!
Hoje penso que serei mãe mesmo depois da morte, que dom!
Muitas de nos sentem um grande peso, uma grande tarefa e ao mesmo tempo falta de um espaço próprio, de tempo, muito cansaço, até angustia… devemos aceitar sempre as dificuldades. Podem ser reais!! Melhor aceitar os sentimentos, eventualmente pedir ajuda, procurar o próprio modo de organizar a vida, desabafar!
Muitas se queixam da rotina, existe uma verdadeira rotina? Muitas têm pressa que os filhos cresçam rápido, 15 ou 16 anos demoram tanto para passar?
Nesses anos de vida do meu filho acho que não repeti nunca a mesma rotina, sim: a hora do banho, a hora do jantar. Um dia ele estava cansado, um dia eu estava distraída com problemas, um dia a comida estava salgada, um dia o pai chegava nervoso…. Não era nunca igual.
Ele foi crescendo e mudando, me testando, me estimulando… que aventura. Uma hora não é mais um bebê, outra não é mais menino… é um homem.
Estou falando da minha experiência pessoal que é também a da maioria das famílias!
Como eu já falei e vou repetir sempre, a nossa sociedade não da o justo valor à mãe: criar, educar os nossos descendentes, ensinar a viver à nossa progenitura, os nossos sucessores no mundo, o fruto do nosso amor. Mas pouco a pouco vamos conquistando nosso espaço.

Ciúmes entre irmãos

(Por Lupita)
As crianças sofrem, experimentam, nos provocam... tentem lembrar quanto é importante que a criança possa expressar os próprios sentimentos – é sinal que de que há adultos para ouvi-la. Ótimo reservar momentos exclusivos para vocês.
Tente também deixar pai e filha juntos - nem que seja por alguns minutos – eles vão se descobrir e isso vai dar um bom equilíbrio à família.
Vou tentar agora relatar o pensamento de Donald W. Winnicott (DWW) a respeito da inveja.
DWW diz que a inveja propriamente dita começa apenas depois dos 15 meses (eu diria os 12 meses de hoje) – antes disso a criança luta pela posse do próprio objeto (mãe, avo, baba...).
DWW valoriza esse sentimento explicando que ele surge porque a criança tem capacidade de amar e porque se trata de uma criança saudável que manifesta os próprios sentimentos.
DWW explica que a inveja pode aparecer e desaparecer para reaparecer mais adiante.
Pode ser ciúmes do irmão assim como ciúmes da pessoa que a mãe está cumprimentando fora de casa ou daquela com a qual ela esta falando no telefone.
Quando a criança pequena fica muito ciumenta do irmãozinho menor é comum ele querer voltar para traz para uma experiência “perdida”, regredindo para uma situação passada de controle total da própria mãe.
A inveja vai e vem, aparece e desaparece... DWW fez varias suposições a esse respeito:
1- No caso de uma a criança que prova inveja contra um irmãozinho e que durante os primeiros ataques de raiva e ódio (ele grita, bate, se atira...) passa mal devido ao receio que os próprios ataques tenham ferido a mãe e o bebe, ele imagina que tudo tenha sido estragado, quebrado.... Porem è a partir desse momento ele começa a perceber que tudo sobreviveu e que a mãe não mudou a própria atitude.
Então ele vai ter momentos diferençados, ou seja, manifestações de raiva com gritos, batidas, empurrões ... assim como momentos de tristeza em que imagina as pessoas que ama feridas pelos próprios ataques. Mas a criança vai amadurecendo e desenvolvendo outras dinâmicas como a de desviar os próprios ataques a outros personagens como bichos, objetos...
2- A inveja pode desaparecer quando a criança pode reviver experiências boas da própria infância... momentos de prazer amamentando, momentos de amor e de atenção no colo da própria mãe ou pai, um sorriso de conforto depois de um choro, num momento de cansaço...
3- As crianças conseguem dominar a própria inveja quando aprendem (mais cedo ou mais tarde) a se colocar na posição dos outros – na do bebe que esta mamando no peito e na da mãe que da atenção ao bebe – compartilhando as boas experiências de vida.
Enfim não deixemos nunca de lado uma maneira mais global ou espiritual de encarar a vida no dia a dia ... à procura da felicidade no aqui e agora.
"Ver um Mundo num Grão de Areia
E um Céu numa Flor Silvestre,
Ter o Infinito na palma da sua mão
E a Eternidade numa hora."
(William Blake)